“Pedra na vesícula”: opero ou não opero quando não sinto nada?


Autor responsável: Juarez Carneiro de Holanda Filho; Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Residência em Cirurgia Geral pela UFPI/HGV, pós-graduação em Medicina do Trabalho e treinamento em ultrassonografia.








A colelitíase, popularmente conhecida como pedra na vesícula, se tornou motivo muito comum de procura ao consultório de cirurgia geral pela detecção cada vez mais frequente dos casos que chamamos de assintomáticos, ou seja, aqueles que não provocam nenhum sintoma. Normalmente o paciente realiza um exame de ultrassonografia do abdome para investigação de outras afecções abdominais e se depara com esse diagnóstico, o que gera a dúvida, opera ou não opera?


Em primeiro momento temos que dizer que cada paciente deve ser individualizado e vários aspectos devem ser considerados, ou seja, sempre é bom ter uma conversa com seu cirurgião de confiança sobre os riscos e benefícios, afinal de contas estamos falando de uma cirurgia e como todas, tem seus riscos. Existem indicações absolutas da cirurgia, como a presença de calcificação da parede da vesícula ou presença de pólipo grande na ultrassonografia, porém as discussões vêm sobre as indicações relativas, ou seja, as que não são obrigadas a operar, mas existe um grau de recomendação e sobre estas vamos falar um pouco:


Pacientes com menos de 30 anos: são pacientes com grande expectativa de vida e que tem chance de desenvolver sintomas ao longo dos anos, algumas vezes quando já com idade avançada e outras doenças concomitantes como hipertensão, cardiopatias. Outro motivo a se discutir é que estão em idade produtiva e no desencadeamento de sintomas pode levar à vários dias de afastamento do trabalho.


Pacientes com cálculos grandes: cálculos grandes têm maior probabilidade de desencadear um quadro de colecistite aguda (infecção da vesícula) e provocar quadros graves. Além disso, estudos sugerem um maior risco de câncer de vesícula.


Mulheres jovens em idade fértil: neste grupo levamos em conta o risco para mamãe e bebê caso haja quadros de colecistite aguda ou até mesmo uma pancreatite aguda biliar (pancreatite desencadeada por cálculos). Intervenções cirúrgicas na gestação são sempre delicadas. Além disso, há uma alteração fisiológica da imunidade que propicia desenvolvimento de infecções mais graves. Acrescenta-se a isto a impossibilidade de uso de alguns medicamentos durante a gravidez.


Pacientes diabéticos: estes pacientes têm uma incidência de complicações semelhantes à população normal, porém estas são muito mais graves. Devido a isto, a indicação deve ser particularizada.


Na dúvida, consulte um cirurgião, ele poderá esclarecer outras dúvidas e explicar os métodos mais indicados para o tratamento.